«O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela - em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz.
O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo característico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz. Quem não produz é que admira a produção.
O provinciano vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando não o somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que não o somos.»
Fernando Pessoa escreveu um texto chamado O Provincianismo Português em 1928. São partes desse texto que eu aqui reproduzo.
Se pensam que esta definição de provincianismo assenta que nem uma luva ao nosso primeiro, então estão certos. Veja-se o caso do computador magalhães: mostra o amor ao progresso e ao moderno que Sócrates tem, mas sem o criar.
Esta é a segunda mensagem intelectual. Depois da terceira vou ficar pior que o Pacheco Pereira e começarei a pôr Ovídio e Juvenal em latim e Safo em grego. Basicamente, ficarei passado dos carretos. Terei que ir uns tempos para o Júlio de Matos recuperar.
Há 13 horas




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