27 de fevereiro de 2009

História, modernaços e antiquados

(...) «Acusa a classe política pela situação. Acha que a nossa classe política não está à altura? Acho que a nossa classe política é mais do que lamentável. Os nossos políticos não têm ideias e não debatem. Assiste-se a qualquer sessão do Parlamento e verifica-se que há afirmações mas nunca as demonstram. Diz-se que o TGV é fundamental mas ninguém o justifica. Quando há uma crítica ninguém responde, porque há incapacidade de argumentar nos nossos políticos. Em todos! À excepção do primeiro-ministro! É a pessoa que mais me confrange porque ainda não o ouvi responder a uma pergunta com argumentação. Até deixei de o escutar. (...) Nós não temos democracia em Portugal, isso é fantasia. O que é que nós temos? Um Estado corporativo como Salazar sonhou e nunca conseguiu. Realizámos o que desejava, que é o poder nas mãos de organizações profissionais.» (...) Vitorino Magalhães Godinho, historiador. Excertos de uma entrevista ao Diário de Notícias, hoje. É a entrevista mais lúcida e com a melhor análise à sociedade em que vivemos, que eu leio nos últimos tempos. Mostra como são os actuais políticos portugueses. E a mostrar toda a burrice do jornalista numa afirmação (só se era uma provocação irónica que eu não percebi) e numa interpretação geral da entrevista; a afirmação é a segunda frase a negrito. O jornalista escreve no texto de introdução da entrevista, que a visão do mundo espanta pela modernidade, além de o jornalista ficar espantado pelo uso de palavras como playstation no livro de ensaios agora editado. O jornalista deve ter pensado que o historiador, por ter 90 anos, era um velho atrasado ou anacrónico, que não liga ao que se passa na actualidade. Isto mostra o problema de não saber para que serve a História: serve para conhecer o passado, mas com o intuito de entender o presente, para que na actualidade não sejam cometidos erros semelhantes ou iguais aos do passado. P.S.: Fiz uma pequena correcção a esta mensagem, por um erro meu. É a primeira vez que o faço e espero que seja a última.

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