Os discursos dos dirigentes do PS (e toda a política do plano tecnológico, por exemplo) baseia-se em duas ideias, o progresso e a modernidade.
O conceito progressista é paralelo do conceito de avançado, porque os seus defensores crêem ser irreversível o processo da História, que tem como tarefa adiantar o curso da humanidade. Posteriormente, o seu uso vai para o âmbito socialista e acaba no marxismo: progressista é aquele que, não sendo militante comunista, acredita na vitória final do proletariado.
Hoje em dia, o termo é conotado, habitualmente, com o marxismo, mas deve notar-se que a concepção progressista serve de base ao movimento do tecnocracismo, que reivindica a verdadeira dinâmica do progresso social.
O progressismo adopta um conceito relativista do homem e dos valores, incluindo as próprias noções de verdade e de bem, porque crê que a natureza humana se vai modificando substancialmente (ou seja, progredindo) com a evoluir social.
O conceito de modernidade vive da oposição a clássico, antigo ou tradicional. Caracteriza-se pelo gosto e apetite pela novidade, por vezes, da novidade pela simples novidade - pelo acento do presente e do futuro relativamente ao passado. Tem várias aplicações. Na política, a modernidade é a autonomia e centralização, a distinção do Estado e da sociedade civil, ou então, a sua total identificação em regimes de partido único e ideologia única. Na economia, é a condenação do obsoleto e é a expansão, a produtividade e a permanente inovação.
A analogia encontrada pelos ideólogos do PS foi com o salazarismo. Só não sei quem andou a estudar os dois conceitos, para depois os poder aplicar nos discursos que os dirigentes do partido fazem e em algumas políticas. Mas baseiam-se naquelas duas ideias.