28 de fevereiro de 2009

Bacoradas que nós pagamos

Na RTP, no jornal da tarde, na reportagem sobre o jogo do Benfica de ontem, o jornalista disse que ao intervalo o marcador não funcionou - pois não; ao intervalo o jogo estava empatado a zero. A mostrar a isenção do jornalismo futeboleiro da RTP e dos editores do desporto, que deixam passar tudo - deixaram passar porque era o jogo do Benfica. No telejornal de hoje, João Adelino Faria disse: já a seguir a este telejornal é o festival RTP da canção; "esqueceu-se" do programa do provedor. Num outro telejornal, tinha dito «já a seguir, mas primeiro vamos para intervalo» - uma frase que faz todo o sentido.

Diminui as desigualdades dos cidadões

Quem fala assim deve ser um "produto" das novas oportunidades. Passou na televisão, numa reportagem sobre o congresso do PS. Quanto ao resto, gostei do verde-alface do ecrã de fundo, atrás do nosso querido líder. Aquele verdoca a mim feriu-me os olhos, mas deve ser problema meu, que sou vesgo e faço parte de uma pequena minoria (é só para seguir o português actual, no que concerne às redundâncias). O título desta posta é uma boa metáfora do discurso do comandante-em-chefe, em que referiu tudo o que o governo dele "fez" para diminuir as desigualdades dos cidadões.

27 de fevereiro de 2009

História, modernaços e antiquados

(...) «Acusa a classe política pela situação. Acha que a nossa classe política não está à altura? Acho que a nossa classe política é mais do que lamentável. Os nossos políticos não têm ideias e não debatem. Assiste-se a qualquer sessão do Parlamento e verifica-se que há afirmações mas nunca as demonstram. Diz-se que o TGV é fundamental mas ninguém o justifica. Quando há uma crítica ninguém responde, porque há incapacidade de argumentar nos nossos políticos. Em todos! À excepção do primeiro-ministro! É a pessoa que mais me confrange porque ainda não o ouvi responder a uma pergunta com argumentação. Até deixei de o escutar. (...) Nós não temos democracia em Portugal, isso é fantasia. O que é que nós temos? Um Estado corporativo como Salazar sonhou e nunca conseguiu. Realizámos o que desejava, que é o poder nas mãos de organizações profissionais.» (...) Vitorino Magalhães Godinho, historiador. Excertos de uma entrevista ao Diário de Notícias, hoje. É a entrevista mais lúcida e com a melhor análise à sociedade em que vivemos, que eu leio nos últimos tempos. Mostra como são os actuais políticos portugueses. E a mostrar toda a burrice do jornalista numa afirmação (só se era uma provocação irónica que eu não percebi) e numa interpretação geral da entrevista; a afirmação é a segunda frase a negrito. O jornalista escreve no texto de introdução da entrevista, que a visão do mundo espanta pela modernidade, além de o jornalista ficar espantado pelo uso de palavras como playstation no livro de ensaios agora editado. O jornalista deve ter pensado que o historiador, por ter 90 anos, era um velho atrasado ou anacrónico, que não liga ao que se passa na actualidade. Isto mostra o problema de não saber para que serve a História: serve para conhecer o passado, mas com o intuito de entender o presente, para que na actualidade não sejam cometidos erros semelhantes ou iguais aos do passado. P.S.: Fiz uma pequena correcção a esta mensagem, por um erro meu. É a primeira vez que o faço e espero que seja a última.

26 de fevereiro de 2009

Beberetes rodoviários

O ministro das obras privadas diz que as concessionárias pagam os «banquetes e beberetes» dos anúncios da construção das autoestradas. Não deixa de ser um negócio interessante: é o governo que decide construir uma autoestrada e quer anunciar a coisa, mas são as empresas que ganham as concessões a pagar a publicidade. Pior para o governo: são convidados para fazerem de promotores comerciais - uma espécie de vendedores.

24 de fevereiro de 2009

O futuro vai ser lindo

Ao navegar por aí, cheguei ao blogue Risco Contínuo, onde se encontra esta mensagem. Tem uma história deliciosa acerca do que nos espera num futuro não muito longínquo.

"Pornografia" para totós

Em Braga, a PSP apreendeu livros que tinham na capa uma reprodução do quadro A Origem do Mundo de Gustave Courbet. Ao pôr esta fotografia, espero não ser apreendido pela PSP, que não tem nada mais importante para fazer. Já agora, para quem fez a queixa: a mulher da foto não é farfalhuda, o que deve ser considerado ainda mais pornográfico.

23 de fevereiro de 2009

Carnaval partidário

Ouvi dizer que o coronel venezuelano vem a Portugal para o "congresso" do PS. Eu estou prontinho para seguir até Espinho e acompanhar esse momento histórico. Vou mascarado de Che Guevara. Porra, não posso. O carnaval termina na 4.ª feira.

Ide grelhar vitualhas

Um estudo científico (português) diz que os alimentos grelhados são cancerígenos. Por isso, empanturrem-se de peixe e carne grelhados porque irá acabar. Com estas investigações, estão a dar ideias aos burocratas de Bruxelas para inventarem mais uma lei a "proteger-nos" do que nós comemos. Só resta mesmo a azai ganhar poderes para fiscalizar o que morfamos em casa. Já não falta muito.

21 de fevereiro de 2009

O Provinciano

«O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela - em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz. O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e na esfera mental superior, a incapacidade de ironia. O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo característico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz. Quem não produz é que admira a produção. O provinciano vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando não o somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que não o somos.» Fernando Pessoa escreveu um texto chamado O Provincianismo Português em 1928. São partes desse texto que eu aqui reproduzo. Se pensam que esta definição de provincianismo assenta que nem uma luva ao nosso primeiro, então estão certos. Veja-se o caso do computador magalhães: mostra o amor ao progresso e ao moderno que Sócrates tem, mas sem o criar. Esta é a segunda mensagem intelectual. Depois da terceira vou ficar pior que o Pacheco Pereira e começarei a pôr Ovídio e Juvenal em latim e Safo em grego. Basicamente, ficarei passado dos carretos. Terei que ir uns tempos para o Júlio de Matos recuperar.

19 de fevereiro de 2009

Tão amigos que nós somos

Luís Amado não quis que a resolução do parlamento europeu sobre os voos da CIA, fizesse referência a declarações suas sobre o envolvimento do governo de Durão Barroso. O ministro dos passeios para o estrangeiro afirmou aquilo só porque lhe convinha naquela altura e convinha ao PS, como forma de eleitoralismo. Quando o PS ganhou as eleições, a ética na política deixou de existir. É tão bonita a coerência.